quarta-feira, 15 de setembro de 2010

....definidos,indefinidos....


Os falsos pedidos de desculpa.
Os vícios escassos.
As consultas astrológicas desesperadoras.
Umas facadas no ego.

O sexo proibido, o pecado sem redenção.
O carinho tímido, os bares escondidos.
A conquista barata.
Uma perda de tempo.

Os insultos desnecessários.
Os murros na parede.
As piadas de uma péssima atriz.
Umas garras escondidas

O descaso com as horas, o descontrole biológico
O café ao meio dia, os jantares de madrugada.
A agonia ressentida.
Uma inutilidade atrás da outra.

Tudo ao contrario do futuro,
Do futuro previsto pela cartomante.
Tudo... me desdenhando.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010


Quando estacionei meu carro às 10 e meia da noite de frente pra uma lixeira do centro, ainda me corroia a dúvida se o que eu estava pra fazer tinha fundamento. Eu não estou apaixonada. Aliás, meu coração anda se confundindo com o asfalto da Av. Constantino Nery: duro e cheio de emendas. De qualquer maneira, as tentativas de tentar me amolecer aumentam de número. Assim sendo, liguei pra venezuelana 13 vezes!

“Bem,que se foda! Daqui pra amanhã,resolvo meu problema!”

Eu girei a chave do carro e dei a partida.
Fui surpreendida pelos dois grandes olhos negros dela no vidro do passageiro, me pedindo suavemente pra descer.
Sua casa era numa vila embutida num quarteirão de ruitas(não sei se essa palavra existe) estreitas, cheia de becos.
No caminho, pensei em desistir várias vezes.
A força do sexo me chutava pra frente. “Continua!”.
Meu medo só passou quando escutei o som dos 3 cadeados no portãozinho da frente e da chave trancando a porta da minúscula sala de estar.
Ela me conduziu direto pro segundo quarto. Conversamos um pouco o de sempre, o banal. E nem podia ser uma conversa mais profunda. Eu estava sendo vencida pela matéria. Meus olhos selecionavam a seqüência que as mãos deveriam obedecer. Tudo tocável, permitido, fácil. Até esqueci que o cheiro dela não me agradava. Esqueci!

Tentava fingir interesse, me sabotava momentos antes de um gozo, negados diversas vezes, pra responder às perguntas dela, pra ouvir suas estórias. E que perguntas! Tantas estórias! Tão pouco tempo.
Na situação que me encontrava,medidas deveriam ser tomadas. Meu intelecto foi brutalmente acionado.
O corpo por si só já não dava conta. Ele se posicionava, imitava a teoria do sexo. Mas em todos os livros de terapia sexual que já me foram devorados, não me lembro de nenhum capítulo que nos fornecesse informações necessárias de como excitar mulheres que falam de mais!

Quando minha mão finalmente completou seu curso e desceu aquele ventre quente e branco com cautela e precisão, o meu fogo sumiu! Simplesmente apagou, me deixando uma fumaça de dúvidas!
Sorri ironicamente e a beije com carinho. Acomodei meu braço longe da sua cintura que já me pedia atenção. Mas dei a ele segundos de gelo...

“Será que eu brochei?! Isso é...possível?!”

Sinto um alívio por não ter um pênis! A minha vergonha fica comigo, morre comigo!
Aquilo não tinha explicação, há poucos segundos tudo que eu queria era possuir a estrangeira, fazer - lá tremer e gritar em espanhol, todos os nomes sujos que conhece. E agora... eu estava lá, olhando pra TV de um quarto escuro,envergonhada.
O nariz lembrou-se do cheiro, as mãos das chaves do carro, o corpo inteiro de seguir a razão e de se levar de volta pra casa.
Eu culpei as horas e levantei. Ela não compreendeu. Queria que eu ficasse. Cobriu meu rosto vazio com beijos cheios de carinho.
Então, pela primeira vez eu vi sua ingenuidade e que a bruxa era eu.
Era eu quem tinha um coração de asfalto.
Eu não brochei. Mais uma vez fui salva pela bondade que ainda tinha.

E não sei o porquê, me acho digna de uns “Parabéns!”. Acho que... Inconscientemente, eu poupei uma vítima.